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Sobre blogueiros profissionais e amadores: que caminho seguirá a blogosfera?


Eu comecei o Bigtrip no antigo blogspot em 2005, enquanto me preparava para uma Eurotrip meio mochilão com o meu marido. Logo migrei pro WordPress e em seguida pro blog Abril, que acabou e eu retornei pro WP, agora com domínio próprio. Estou contando isso apenas para dizer que o BigTrip tem 7 anos (pasmem!) e nem eu mesma tinha me dado conta disso.

O intuito do meu blog nunca foi a profissionalização. Ele funciona como um diário de viagem,  sempre foi assim. Até porque, por mais que eu goste de viajar, com apenas 30 dias de férias em um ano, teria que encher muita linguiça pra blogar de forma pró.

A ideia de começar o blog aconteceu depois que eu conheci o VnV do Ricardo Freire,  ao entorno do qual se formou uma comunidade de viajantes maravilhosa e de onde vieram muitos amigos pessoais. A fórmula deu muito certo: juntar pessoas interessantíssimas que gostam de viajar ao redor de um blogueiro excepcional, com uma mega bagagem e um texto delicioso. E assim, foi criada a Viajosfera (blogosfera de viagem) e muitos, como eu, criaram os seus blogs pessoais. Nessa época, não se pensava muito na profissionalização dos blogs.

Mas o tempo passou, a Internet mudou e muitos blogueiros resolveram “inventar” e consolidar a profissão blogueiro. Tanto no círculo dos blogs de viagens como nos outros círculos (moda, tecnologia, vinhos, culinária, política, etc). E com o advento das redes sociais, que servem também para divulgar o trabalho do blogueiro, tudo ficou mais simples e fácil.

Depois de muito trabalho, muito tempo investido, muita grana investida em viagens, o sucesso veio, claro, e com ele os rendimentos. Ótimo, mais do que merecido!

Só que, muitos blogueiros novos também resolveram seguir por esse caminho  e chegamos num ponto, onde (me parece) que todo mundo quer virar blogueiro profissional e viver do blog, viajando o mundo, ganhando viagens fantásticas em hotéis de luxo e ter uma vida glamourosa.  Eu acho muito natural que muito queiram isso, mas é preciso haver reflexão.

Não é fácil, e infelizmente, pouquíssimos atingirão esse objetivo. Há que se trabalhar muito e duramente para chegar a algum lugar, numa blogosfera saturada por blogs medianos. Há que se investir muito tempo em pesquisa, conhecimento de tecnologia, há que se aprimorar o português e o texto, além passar tantas horas na frente de um computador que possivelmente se trabalhará mais do que em um emprego formal.

Eu já cheguei faz tempo à conclusão de que essa vida não é pra mim, que tenho uma outra profissão e vivo dela. E que meu blog será sempre “amador” e não há vergonha alguma nisso. Acredito que mais pessoas chegarão a essa conclusão, de uma forma ou de outra e que o boom de probloggers de viagem passará rapidamente. Terá sido um sonho efêmero, como muitos outros sonhos proporcionados pela Internet. E voltará a haver equilíbrio entre probloggers fantásticos, dedicados, éticos e respeitados e entre seres comuns; blogueiros amadores, que querem apenas dividir suas impressões de viagens com os leitores, hoje ávidos por mais transparência, mais diversão e menos altivez. Eu realmente espero por isso.