Eu estava andando num vaporetto quando li o seguinte avisa da prefeitura, em italiano e em inglês “Atenção, senhores turistas, Venza não se resume apenas a Piazza San Marco”. É sério e inacreditável! E realmente é isso: não se resume!
O mais maravilhoso da cidade é andar pelas pequenas vielas e pontes e ter uma surpresa atrás de cada esquina: uma pequena praça, um lindo pátio, um pequeno ristorante, ou apenas, mais uma ponte. E as vezes as vielas vão ficando tão estreitas, que você tem a sensação de que em algum momento não vai conseguir passar. Incrível!
Meu marido reclamou um pouco da proibição de bicicletas na cidade, mas imaginem quantos pedestres desavisados e boquiabertos, seriam atropelados todos os dias?
Os lugares mais incríveis da cidade são quase “secretos”, longe da imensidaão gloriosa da Piazza e da sua super população de turistas e pombos e alguns desse lugares, eu listo aqui:
O mercado do Rialto: além de peixes frescos e frustos do mar maravilhosos, o mercado que acontece as margens do Grande Canal, perto da Ponte do Rialto, tem frutas e legumes maravilhosos, além de uma absurda variedade de temperos e pimentas. Podemos até imaginar como seria esse lugar na época da efervescência do comércio com as Índias…Veneza é voltar no tempo.
Galleria Della Academia: essa galeria tem a maior coleção de arte veneziana do Renascimento. São telas enormes, pintadas pelos grandes mestres italianos, como Veronese, Tintoretto, Ticiano, Carpaccio e outros, que nos deixam perplexos diante de suas cores e brilhos, conservados até hoje. A maioria absoluta delas tem temas religiosos, como era de se esperar mas eu destaco a enorme tela “Ceia na Casa de Levi”, que foi originalmente encomendada pra ser a Santa Ceia pela Igreja e seria usada para decorar o refeitório de um Convento Beneditino. A tela foi considerada profana por conter bêbados, anões e animais e Veronese foi condenado a pintar outra tela, com as mesmas dimensões e o mesmo tema, corrigindo esses detalhes e a segunda versão, chamada de a Santa Ceia, está exposta no Louvre, na Grande Galeria, na parede em frente Monalisa. Eu tive a felicidade de poder compará-las na mesma viagem, e gostei mais da primeira versão.